Na Cúpula de Washington sobre Segurança Nuclear, finalizada em 13/04/2010, na qual participaram 47 nações, - inclusive o Brasil - foram alcançados importantes acordos para reduzir o risco de uma catástrofe de consequencias inimagináveis, sendo consensual entre os participantes o imperativo de uma intensa colaboração entre todos e a necessidade do estrito cumprimento das normas da AIEA – Agência Internacional de Energia Atómica – organismo diretamente subordinado às Nações Unidas.
Em resumo, um pouco de bom senso na estupidez do homem na sua volúpia de autodestruição por atacado, desde que, segundo especialistas, os arsenais nucleais no fim da Guerra Fria, em 1989, apenas considerando os EUA e a ex-URSS, eram suficientes para destruir toda a vida no planeta mais de 1.000 vezes. Que desperdício inacreditável!
Isso, sem considear a ameaça - potencialmente ainda mais terrível - dos arsenáis químicos e biológicos ainda em poder das grandes potências, o que também comprova a força da parte escura do ingenio humano a serviço de formas cada vez mais letais de destruição, infelizmente aperfeiçoadas (?) continuamente nos últimos 5.000 anos.
As terras de América colonizadas (ou escravizadas?) por Espanha e Portugal 500 anos atrás estão, aparentemente, livres desses pesadelos, pelo menos por agora. Porém, outros enemigos tão destruidores e sinistros ameaçan o progresso e o bem estar de seus mais de 500 milhões de habitantes, que suportam o ataque sem tréguas daquilo que podemos, com toda propriedade, batizar de “nossos” Quatro Cavaleiros do Apocalipse: A POBREZA, A VIOLÊNCIA, O NARCOTRÁFICO E A CORRUPÇÃO.
Os quais, tal hidra maligna, possui estreitas relações uns com os outros, formando uma corrente perversa que ocasiona danos irreparáveis á qualidade de vida, ofuscam a democracia e possuem um enorme potencial para gerar conflitos, internos e externos, solapando e fragilizando as instituiçõe e as perspectivas de progresso dos países–vítima, elevando progressivamente seus níveis de carências econômicas, sociais e psicológicas.
O triste exemplo do México está na vitrine e serve de alerta para a urgência de medidas práticas – não de retórica política – para empenhar todos os esforços e todos os recursos para combater esses fragelos.
Por outra parte, antes tarde que nunca, parece ganhar espaço no saber convencional dos governantes da América Latina de que esse combate pode ser muito mais efetivo se as ações são coordenadas a nível regional – pelo menos - com um trabalho conjunto de seus serviços de inteligência, seus organismos de segurança, seus sistemas judiciários e todas as forças responsáveis da sociedade organizada para combater e tentar ganhar essa guerra não declarada, porém não menos maléfica, e cuja virulência tem aumentado quase que exponencialmente nessa primeira década do Século XXI.
Pelo menos é o que se pode extrair das declarações, acordos e juras de boas intenções que, com uma visão do melhor dos mundos (irreal, na verdade!) encerram as cumes dos mandatários da UNASUL – União das Nações Sul-Americanas; do MERCOSUL – Mercado Comúm do Sul; da Comissão de Segurança Hemisférica da OEA - Organização dos Estados Americanos; e do MCCA – Mercado Comum Centro-Americano.
Nesse esforço conjunto, o Brasil tem o papel-chave de protagonista principal em razão de sua importância econômica, estratégica e geo-política e, sob qualquer ponto de vista, a sua vitória nessa cruzada para derrotar esses enemigos ardilosos terá importância decisiva no sucesso do esforço para construir um futuro mehor para os povos da América Latina.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
ATAQUE FRONTAL
Em março de 2010, no transcorrer da XI Assembléia Popular Nacional - a APN é o orgão legislativo máximo da China – foram analisadas, debatidas e definidas as grandes metas e os caminhos que o colosso asiático deve trilhar para atingir seus objetivos políticos, econômicos, financeiros, sociais, estatégicos, ambientais e internacionais.
As decisões dessa Assembléia, que reune 3. ooo representantes de todas as regiões do país e que, em geral, aprovam estudos e propostas dos grupos da elite do planejamento do governo, têm uma importância indiscutível e decisiva para pautar as ações executivas dos dirigentes chineses, sendo utilizadas como uma orientação fundamental para obter os resultados positivos que mais interessam ao dragão asiático que, é bom notar, abriga um quinto dos habitantes do planeta, com problemas, carências e anseios proporcionais a sua grandeza humana, econômica e territorial. E, acreditem, com os olhos fixos no horizonte onde deve alcançar seu objetivo maior:Vir a ser a primeira potência do globo... até 2030!
Não pode passar por alto que a China - marcando diferenças evidentes com as atuações das potências historicamente detentoras da coroa da dominação planetária - atua com a paciência e competência de um consumado jogador de xadrez para alcançar essa ascendência mundial, objetivo não confessado e não por isso menos desejado, ainda que cautelosamente disfarçado sob a cortina de sorrisos, amabilidades e declarações bem comportadas da diplomacia chinesa.
Sob a pressão natural da maioria de seus habitantes que anseiam por uma melhor qualidade de vida, a China tem pressa e sabe que precisa fazer muito mais que os avanços espectaculares alcançados nas últimas três décadas. O presidente Hu Jintao – que em poucos dias estará no Brasil – enfatiza no encerramento da XI Assembléia: "É necessário mudar o modelo de desenvolvimento econômico e dar maior atenção aos temas do interesse imediato da cidadania. Essa mudança é urgente e precisa acontecer no menor prazo possível, sob pena de consequencias potencialmente desastrosas para o futuro da China”.
Especialistas da Universidade de Pequim – que abriga o principal “think tank” do governo - assinalam que nos próximos anos a “aceleração da mudança” será o ponto-chave nas discussões, programas e ações executivas e indutoras do governo.
(Aliás, por favor, não confundir com nosso PAC ainda que, em muito, têm lá suas semelhanças. Apenas, fica no ar a dúvida se, por efeito emblemático das coisas da economia, nossos especialistas em desenvolvimento não repetem as mesmas receitas que deram certo na distante terra do urso panda. Ou pode, por magia, ser o contrário?).
Agora, no front externo, a China também tem pressa e acelera sua presença e influência com a atuação incansável de seus “caixeiros viajantes promotores das boas relações com todos os povos” - destaque especial para o presidente Hu Jintao; o primeiro ministro Wen Jinbao; e o Ministro das Relações Exteriores, Yang Jiechi – que percorrem todos os cantos do planeta numa peregrinação jamais antes conhecida no mundo da diplomacia, distribuindo generosamente apertos de mão, sorrisos e ...montanhas de dinheiro, especialmente para países da África e América Latina. Nos intervalos, fecham acordos para garantir os suprimentos de matérias primas, imprescindíveis para movimentar a gigantesca máquina de produção do país asiático e também, para não perder a viagem, conseguem o apóio – ou a neutralidade- para a realização de seu objetivo maior, logicamente não anunciado, para atingir o posto de maior potência do planeta, hoje ocupado pelos EUA.
No mais, tem comprovado condições para chegar ao ápice, lembrando que são discípulos aplicados dos ensinamentos do mestre Confúcio: “No trabalhoso caminho da vida, tudo se consegue com paciência, equilibro e persistência”.
As decisões dessa Assembléia, que reune 3. ooo representantes de todas as regiões do país e que, em geral, aprovam estudos e propostas dos grupos da elite do planejamento do governo, têm uma importância indiscutível e decisiva para pautar as ações executivas dos dirigentes chineses, sendo utilizadas como uma orientação fundamental para obter os resultados positivos que mais interessam ao dragão asiático que, é bom notar, abriga um quinto dos habitantes do planeta, com problemas, carências e anseios proporcionais a sua grandeza humana, econômica e territorial. E, acreditem, com os olhos fixos no horizonte onde deve alcançar seu objetivo maior:Vir a ser a primeira potência do globo... até 2030!
Não pode passar por alto que a China - marcando diferenças evidentes com as atuações das potências historicamente detentoras da coroa da dominação planetária - atua com a paciência e competência de um consumado jogador de xadrez para alcançar essa ascendência mundial, objetivo não confessado e não por isso menos desejado, ainda que cautelosamente disfarçado sob a cortina de sorrisos, amabilidades e declarações bem comportadas da diplomacia chinesa.
Sob a pressão natural da maioria de seus habitantes que anseiam por uma melhor qualidade de vida, a China tem pressa e sabe que precisa fazer muito mais que os avanços espectaculares alcançados nas últimas três décadas. O presidente Hu Jintao – que em poucos dias estará no Brasil – enfatiza no encerramento da XI Assembléia: "É necessário mudar o modelo de desenvolvimento econômico e dar maior atenção aos temas do interesse imediato da cidadania. Essa mudança é urgente e precisa acontecer no menor prazo possível, sob pena de consequencias potencialmente desastrosas para o futuro da China”.
Especialistas da Universidade de Pequim – que abriga o principal “think tank” do governo - assinalam que nos próximos anos a “aceleração da mudança” será o ponto-chave nas discussões, programas e ações executivas e indutoras do governo.
(Aliás, por favor, não confundir com nosso PAC ainda que, em muito, têm lá suas semelhanças. Apenas, fica no ar a dúvida se, por efeito emblemático das coisas da economia, nossos especialistas em desenvolvimento não repetem as mesmas receitas que deram certo na distante terra do urso panda. Ou pode, por magia, ser o contrário?).
Agora, no front externo, a China também tem pressa e acelera sua presença e influência com a atuação incansável de seus “caixeiros viajantes promotores das boas relações com todos os povos” - destaque especial para o presidente Hu Jintao; o primeiro ministro Wen Jinbao; e o Ministro das Relações Exteriores, Yang Jiechi – que percorrem todos os cantos do planeta numa peregrinação jamais antes conhecida no mundo da diplomacia, distribuindo generosamente apertos de mão, sorrisos e ...montanhas de dinheiro, especialmente para países da África e América Latina. Nos intervalos, fecham acordos para garantir os suprimentos de matérias primas, imprescindíveis para movimentar a gigantesca máquina de produção do país asiático e também, para não perder a viagem, conseguem o apóio – ou a neutralidade- para a realização de seu objetivo maior, logicamente não anunciado, para atingir o posto de maior potência do planeta, hoje ocupado pelos EUA.
No mais, tem comprovado condições para chegar ao ápice, lembrando que são discípulos aplicados dos ensinamentos do mestre Confúcio: “No trabalhoso caminho da vida, tudo se consegue com paciência, equilibro e persistência”.
quinta-feira, 25 de março de 2010
GUERRA & PAZ
Em 1776, no clássico “Riqueza das Nações”, Adam Smith pontificava sobre o fim dos conflitos entre nações que, na sua visão, seriam empurrados para um canto esquecido “por exércitos de empresários que atravessariam as fronteiras com o único objetivo de negociar e potencializar suas vantagens comparativas”. Mundo ideal, que descortinava um cenário internacional unido pelo comércio e que, de certo modo, antecipava alguns dos aspectos positivos do processo de globalização que se solidificaria mais de duzentos anos mais tarde.
Em 2009, levadas pelo turbilhão da crise do sistema liberal-capitalista, as exportações mundiais declinaram pouco mais de 12% com relação ao ano anterior, enquanto que o Brasil emplacava amargos 24%%, um tropeção acre na sua corrida para ganhar os mercados mundiais. Mas, o que mais chama atenção é que, revertendo um quadro histórico - as trocas além fronteiras normalmente crescem com uma velocidade sempre superior à taxa de evolução do PIB - foi o comércio internacional que cooperou para empurrar para as trevas o crescimento da economia planetária, que teve uma queda média inferior à 3%. Bem, de qualquer modo, parece que o paciente iniciou, entre trancos e barrancos, o processo de recuperação.
É importante lembrar que, nos tempos tumultuados de nosso caminho para o futuro, tanto a ONU como a OMC insistem na importância do intercâmbio comercial como instrumento decisivo para a manutenção da convivência pacífica entre os povos e o fortalecimento dos caminhos para o crescimento sustentável, pelo menos do ponto de vista econômico. Confirmando isso, recente estudo das Nações Unidas demostra uma correlação direta entre comércio, desenvolvimento e paz, onde se verifica que quando existem laços comerciais fortes, as controvérsias são suavizadas pelo predomínio de interesses comuns e os índices de desenvolvimento não param de subir.
Vale enfatizar que, nos últimos anos e confirmando essa visão, um dos aspectos mais destacados no crescimento do comércio mundial foi o fulminante aumento da participação internacional dos países asiáticos - liderados por China, India, Malasia, Singapura, etc - numa das regiões potencialmente mais conflituosas do globo. Onde, sem dúvida, o caminho da harmonia foi azeitado pelo comércio e seus efeitos positivos.
Como lição de casa, não pode passar despercibido que esses países têm em comum, pelo menos, um aspecto: utilizam eficientemente todas as armas do arsenal do marketing internacional, de modo contínuo e criativo. E, muito importante, têm estrategias eficientes para integrar a expansão de seu comércio além fronteiras com o desenvolvimento econômico intra fronteiras.
Aliados decisivos dos asiáticos nessa evolução explosiva na conquista dos mercados planetários tem sido o desempenho bem-sucedido de mais de 180 Trade Centers, implantados nas mais importantes cidades do mundo, os quais operam como centros especializados de negócios, com espaços adequados para exposição permanente de produtos em esquemas rotativos, além da missão de executar outras ações de marketing, tais como vendas; promoção; lançamentos de produtos; participação de eventos; publicidade; pesquisa de compradores, de concorrentes, de tendências, de potencial de mercado, de preferenciais, de preços, etc. Enfim, todas armas possantes para ganhar a guerra dos mercados.
O Governo Brasileiro recém nos últimos anos acordou para a importância do papel do estado na promoção das vendas internacionais, somando uma atuação fundamental no apóio às empresas, especialmente às P&M.
E dando os primeiros e decisivos passos com a implantação de centros de negócios brasileiros em Miami, Dubai, Varsovia, Havana, Beijing e Moscou.
Em 2009, levadas pelo turbilhão da crise do sistema liberal-capitalista, as exportações mundiais declinaram pouco mais de 12% com relação ao ano anterior, enquanto que o Brasil emplacava amargos 24%%, um tropeção acre na sua corrida para ganhar os mercados mundiais. Mas, o que mais chama atenção é que, revertendo um quadro histórico - as trocas além fronteiras normalmente crescem com uma velocidade sempre superior à taxa de evolução do PIB - foi o comércio internacional que cooperou para empurrar para as trevas o crescimento da economia planetária, que teve uma queda média inferior à 3%. Bem, de qualquer modo, parece que o paciente iniciou, entre trancos e barrancos, o processo de recuperação.
É importante lembrar que, nos tempos tumultuados de nosso caminho para o futuro, tanto a ONU como a OMC insistem na importância do intercâmbio comercial como instrumento decisivo para a manutenção da convivência pacífica entre os povos e o fortalecimento dos caminhos para o crescimento sustentável, pelo menos do ponto de vista econômico. Confirmando isso, recente estudo das Nações Unidas demostra uma correlação direta entre comércio, desenvolvimento e paz, onde se verifica que quando existem laços comerciais fortes, as controvérsias são suavizadas pelo predomínio de interesses comuns e os índices de desenvolvimento não param de subir.
Vale enfatizar que, nos últimos anos e confirmando essa visão, um dos aspectos mais destacados no crescimento do comércio mundial foi o fulminante aumento da participação internacional dos países asiáticos - liderados por China, India, Malasia, Singapura, etc - numa das regiões potencialmente mais conflituosas do globo. Onde, sem dúvida, o caminho da harmonia foi azeitado pelo comércio e seus efeitos positivos.
Como lição de casa, não pode passar despercibido que esses países têm em comum, pelo menos, um aspecto: utilizam eficientemente todas as armas do arsenal do marketing internacional, de modo contínuo e criativo. E, muito importante, têm estrategias eficientes para integrar a expansão de seu comércio além fronteiras com o desenvolvimento econômico intra fronteiras.
Aliados decisivos dos asiáticos nessa evolução explosiva na conquista dos mercados planetários tem sido o desempenho bem-sucedido de mais de 180 Trade Centers, implantados nas mais importantes cidades do mundo, os quais operam como centros especializados de negócios, com espaços adequados para exposição permanente de produtos em esquemas rotativos, além da missão de executar outras ações de marketing, tais como vendas; promoção; lançamentos de produtos; participação de eventos; publicidade; pesquisa de compradores, de concorrentes, de tendências, de potencial de mercado, de preferenciais, de preços, etc. Enfim, todas armas possantes para ganhar a guerra dos mercados.
O Governo Brasileiro recém nos últimos anos acordou para a importância do papel do estado na promoção das vendas internacionais, somando uma atuação fundamental no apóio às empresas, especialmente às P&M.
E dando os primeiros e decisivos passos com a implantação de centros de negócios brasileiros em Miami, Dubai, Varsovia, Havana, Beijing e Moscou.
terça-feira, 16 de março de 2010
GUERRA COMERCIAL
No comércio internacional é preciso entender que são os interesses que regulam as relações entre as nações, num esquema de “tomalá-dacá”. E ponto final, a despeito de toda a retórica gasta por diplomatas, políticos, governantes e negociadores.
Tendo esse princípio em mente, nada de espantar se quando, por um motivo ou outro, esses interesses são contrariados e forçam o país que se julga prejudicado a blindar seu próprio quintal, erguendo o escudo dos mecanismos de proteção de seu mercado interno para evitar ou dificultar a entrada de produtos e serviços do exterior.
Em geral, essas ameaças – as mais conhecidas se encondem trás a fachada de subsídios, dumping, tarifas compensátorias, entraves burocráticos, exigências especiais - – atentam em contra o desenvolvimento normal do mercado e, com maior ou menor intensidade, podem significar uma série de contratempos que se enlaçam numa espiral maléfica na forma de um revés para a manutenção de empregos, com potencial para reduzir o crescimento setorial e regional e levar à perda de competitividade – interna e externamente – assim como o retrocesso tecnológico, de consequências sempre danosas no longo prazo. Isso, para dizer o menos.
Ainda que autênticos– porque consequência de um fato econômico solidamente comprovado - ou ilegí-timos-porque escondem ineficiências e trazem prejuizos muito maiores que o mal que se pretende remediar - esses mecanismos de proteção não deixam de causar algum tipo de prejuizo no “outro lado” e até, muitas vezes, no país que ergue seu escudo protetor. Por outra parte nem sempre é possível distinguir os benefícios reais para os consumidores, pelo menos no curto e médio prazo.
Essas barreiras defensivas, de uma forma ou outra, deterioram o bom relacionamento entre os países, como é o caso do contencioso do Brasil com os EUA, a China e a Argentina, para citar apenas os três maiores sócios de nossas relações comerciais, que representam quase 30% de nosso intercambio com o exterior e com os quais os conflitos são mais visíveis e com maior potencial de risco para o bom andamento de nosso comércio além fronteiras.
Formalmente aprovadas pela Organização Mundial do Comércio, após mais de sete anos de infrutíferas negociações, as represálias brasileiras no caso dos subsídios ao algodão nos EUA é o episódio mais gritante de desentendimentos entre duas nações amigas. O que lembra a famosa frase: “Amigos sim, mas negócios aparte”.
È claro que o Brasil precisa e deve proteger seus interesses. Mas é uma pena que isso aconteça na forma de represálias – sob quaisquer modalidades - desde que não foram possíveis soluções de consenso. E assim sendo, ao enveredar para a luta na proteção de seus interesses, a desforra do outro lado é quase inevitável.
O que até justifica as manchetes da imprensa econômica internacional que, ávida como sempre de pôr lenha na fogueira, proclama que o Brasil está iniciando uma guerra comercial. Claro que não, como provam as demoradas e pacientes tentativas dos Ministérios de Relaçoes Exteriores e da Indústria e Desenvolvimento para tentar acordos que atendam os interesses das partes.
Mas, não devem duvidar: Os EUA não podem aceitar passivamente as represálias do Brasil. Pelos antecedentes do país do Norte, alguma reação é até lógica e, sem dúvida, virá. Até nem que mais não seja para livrar a cara do Governo Americano e ajudar a digerir esse novo prato “a la brasilera”. Pelo menos uma coisa é certa: A estas horas, muitos altos membros da burocracia estatal estadounidense devem estar lembrando, com evidente nostalgia, daqueles “bons tempos” nas primeiras décadas do Século XX quando os EUA mandavam e desmandavam por estas bandas da América Latina. E aproveitam para invocar a imagem forte e arrogante de Theodore Roosevelt (1858-1919) e seu não menos famoso “Big Stick”.
Para alegria dos falcões, os tambores de guerra estão sendo preparados para animar os adversários.
Tendo esse princípio em mente, nada de espantar se quando, por um motivo ou outro, esses interesses são contrariados e forçam o país que se julga prejudicado a blindar seu próprio quintal, erguendo o escudo dos mecanismos de proteção de seu mercado interno para evitar ou dificultar a entrada de produtos e serviços do exterior.
Em geral, essas ameaças – as mais conhecidas se encondem trás a fachada de subsídios, dumping, tarifas compensátorias, entraves burocráticos, exigências especiais - – atentam em contra o desenvolvimento normal do mercado e, com maior ou menor intensidade, podem significar uma série de contratempos que se enlaçam numa espiral maléfica na forma de um revés para a manutenção de empregos, com potencial para reduzir o crescimento setorial e regional e levar à perda de competitividade – interna e externamente – assim como o retrocesso tecnológico, de consequências sempre danosas no longo prazo. Isso, para dizer o menos.
Ainda que autênticos– porque consequência de um fato econômico solidamente comprovado - ou ilegí-timos-porque escondem ineficiências e trazem prejuizos muito maiores que o mal que se pretende remediar - esses mecanismos de proteção não deixam de causar algum tipo de prejuizo no “outro lado” e até, muitas vezes, no país que ergue seu escudo protetor. Por outra parte nem sempre é possível distinguir os benefícios reais para os consumidores, pelo menos no curto e médio prazo.
Essas barreiras defensivas, de uma forma ou outra, deterioram o bom relacionamento entre os países, como é o caso do contencioso do Brasil com os EUA, a China e a Argentina, para citar apenas os três maiores sócios de nossas relações comerciais, que representam quase 30% de nosso intercambio com o exterior e com os quais os conflitos são mais visíveis e com maior potencial de risco para o bom andamento de nosso comércio além fronteiras.
Formalmente aprovadas pela Organização Mundial do Comércio, após mais de sete anos de infrutíferas negociações, as represálias brasileiras no caso dos subsídios ao algodão nos EUA é o episódio mais gritante de desentendimentos entre duas nações amigas. O que lembra a famosa frase: “Amigos sim, mas negócios aparte”.
È claro que o Brasil precisa e deve proteger seus interesses. Mas é uma pena que isso aconteça na forma de represálias – sob quaisquer modalidades - desde que não foram possíveis soluções de consenso. E assim sendo, ao enveredar para a luta na proteção de seus interesses, a desforra do outro lado é quase inevitável.
O que até justifica as manchetes da imprensa econômica internacional que, ávida como sempre de pôr lenha na fogueira, proclama que o Brasil está iniciando uma guerra comercial. Claro que não, como provam as demoradas e pacientes tentativas dos Ministérios de Relaçoes Exteriores e da Indústria e Desenvolvimento para tentar acordos que atendam os interesses das partes.
Mas, não devem duvidar: Os EUA não podem aceitar passivamente as represálias do Brasil. Pelos antecedentes do país do Norte, alguma reação é até lógica e, sem dúvida, virá. Até nem que mais não seja para livrar a cara do Governo Americano e ajudar a digerir esse novo prato “a la brasilera”. Pelo menos uma coisa é certa: A estas horas, muitos altos membros da burocracia estatal estadounidense devem estar lembrando, com evidente nostalgia, daqueles “bons tempos” nas primeiras décadas do Século XX quando os EUA mandavam e desmandavam por estas bandas da América Latina. E aproveitam para invocar a imagem forte e arrogante de Theodore Roosevelt (1858-1919) e seu não menos famoso “Big Stick”.
Para alegria dos falcões, os tambores de guerra estão sendo preparados para animar os adversários.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
UM NOVO GRANDE MERCADO
Em 2009, ano crucial para demarcar o límite da maior crise econômico-financeira dos últimos 80 anos, foram aplicadas muitas soluções inovadoras para reduzir o choque das ondas destrutivas geradas pelo aumento do desemprego, a queda do consumo, a falta de perspectivas e a paralisia causada pelo medo às imagens sombrias que antecipavam tempos futuros de muito sofrimento. Era preciso soluções urgentes para evitar o pior e, pelo menos, evitar o efeito dominó disseminado pela convulsão do aparelho liberal-capitalista que, agora sim, expunha sua execrável face oculta. De maneira especial, era necessário reduzir o impacto negativo da crise nas camadas da população que menos têm e que, sob qualquer ponto de vista, mais pagam pelas falhas dos “senhores do sistema”.
Grandes países, como o Brasil, Índia e China – que, juntos, reunem 2,7 bilhões de pessoas, 40% do total mundial – empregaram, com muita eficiência, um arsenal de medidas para aumentar o consumo interno, principalmente entre os grupos de menor renda. Assim, usaram mecanismos de lógica econômica para tal finalidade, como redução de juros, eliminação de impostos, aumento da disponibilidade de financiamento e facilidades de crédito. E o sucesso estava garantido, pois tinham como aliados indispensáveis a indústria – que reduziu margens e lançou milhares de novos produtos ajustados a essa classe de consumidores – e o comércio – que acreditando nesse novo mercado, não deixou de investir e de disseminar seus pontos de venda.
Esse “ás na manga” suavizou o efeito da queda média de 22% das exportações nesses países – algo como US 300 bilhões – e abriu um espaço imenso para novas empresas, assim como deu sustentabilidade às existentes, entre as quais são destaque as pequenas e médias (P&M) de capital nacional e que atendem, preferencialmente, os mercados locais e regionais. Bem, o efeito positivo disso no tempo tem, pelo menos, o impacto de uma revolução sócio-econômica-mercadológica de consequências benêficas impressionante nas relações entre produtores & comerciantes & consumidores, assim como, não menos importante, amplia o leque de oportunidades para uma real democratização da matriz econômica, tradicionalmente dependente de grupos poderosos com interesses nem sempre voltados para as classes que formam a base da pirâmide social.
Guardadas as diferenças conceituais e técnicas para sua definição em cada país, esses “consumidores especiais do Século XXI”, agrupam números impressionantes, com 980 milhões em China; quase 900 milhões na ìndia; e 140 milhões no Brasil.
Coimbatore Krishnarao Prahalad, economista indiano e afamado consultor internacional, em seu livro “A Riqueza na Base da Pirâmide” desvendou as tremendas oportunidades de mercado oferecidas pelos “pobres do planeta”, destacando o imenso desafio que tem que ser enfrentado pelas nações e as empresas que, para ganhar posições nesse imenso mercado, precisam produzir em novos patamares de quantidade, preço e qualidade, fortemente ajustados a esse novo perfil de consumidor-cliente.
Não está demais lembrar que, nessa corrida, os asiáticos estão na dianteira, liderados por seus dois grandes expoentes: China e Índia.
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