quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A NOVA FRONTEIRA



Comparativamente, Brasil e China têm duas imensas fronteiras geográficas a conquitar, cada uma com aproximadamente 5.000.000 Km2, pouco habitadas, plenas de riquezas e promessas de uma revolução sem precedentes na ocupação dos seus respectivos territorios.Mas é até uma ousadia comparar a Amazonia brasileira – cuja fragilidade ambiental recém agora começa a ser respeitada, cuja natueza não suportarta a presença humana irrestrita sem danos irreparaveis a nossa biodiversidade, cujas terras são planas, facilmente degradáveis e inundaveis – com o Oeste da China, de altas montanhas, vales imensos, gigantescas áreas aptas para uso agrícola sem necessidades de agredir o meio ambiente, com grandes reservas minerais, afinal, uma região para desbravar e ocupar economicamente sem mais delongas. 

Problemas existem, é claro, do tamanho de suas potencialidades, a començar pela distancia até a costa e o acesso aos grandes mercados, tanto internos como do exterior. E, não menos crucial, a falta de infraestutura básica para abrigar grandes contingentes humanos. Mas, a China tem um plano - ora em execução acelerada - tem os recursos, tem a vontade política e tem a determinação mil vezes provada ao longo de sua história. De tudo, trata-se de contruir um novo país que vai abrigar, lá por 2050, o dobro da população do Brasil e ser uma peça muito respeitável no jogo do poder global já a aprtir de 2020-2025.   
 
Por outra parte, é muito importante realçar a formidável diferença entre o modelo de desenvolvimento que está sendo ora implementado, com aquele adotado pelo gigante asiático nas últimas três decadas, quando a consigna maior – e irrefutável – era crescer a qualquer custo para tentar desmontar a gigantesca bomba atómica social herdada da era Mao, que ameaçava esfacelar irreversívelelmente a sociedade chinesa e, por contagio geopolitico natural, arrastrar o resto do planeta a conflitos de desenlace imprevisivelos pelo potencial que tinha de atritar a Índia, a Russia, o Japão e os EUA. E alimentar colossais interesses, pelo mundo afora, sempre a espreita de oportunidades para aumentar sua fatia de poder.

Então, era preciso crecer rapidamente para gerar os recursos imprescindiveis para evitar o pior. Mas, toda essa afobação gerou uma vítima inocente, até naturalmente comprazente, que foi agredida, violada, usada, dilacerada e com isso, deu sua contribuição imprescindivel para o sucesso do projeto de crescimento acelerado: o meio ambiente.

E que, desde o início do processo, lá por 1978, até o início do Século XXI, China era o paraíso das indústrias poluidoras – multinacionais umas, locais outras – que, mercê exigencias ambientais flouxas ou inexistentes, deitaram e rolaram sem dar a mínima para os danos ambientais, com a única preocupação de produzir mais... e lucrar o máximo.

Resultado: Hoje a China rivaliza com os EE. UU o execrável título de maior gerador de gases de efeito estufa do mundo, ao que deve acrecentar-se  os danos terriveis causados a seus sistemas de sustentação da vida natural, especialmente no seus grandes rios.

Hoje, felizmente, tudo mudou. Nos últimos anos, a China tem multiplicado seus esforços para remediar os erros do passado e pautar o desenvolvimento futuro num zelo absoluto pela preservação ambiental. Na implementação da conquista do Oeste, os cuidados ambientais são condição básica para execução de qualquer projeto, o que, de resto, é exigencia sine-qua-non para qualquer obra, em qualquer lugar no país.

Claro, é uma tarefa de décadas alterar o modelo predador. No momento, um notável primeiro grande passo é a meta estabelecida para reduzir a emissão de gases de efeito estufa em 38% - base 2005 - até 2020. O que, entre outras coisas, vai exigir mudanças radicais no modelo de produção de energia elétrica, que depende do carvão num alarmante 75%. Proporção que vale a pena comparar – com justo orgulho - com o modesto 1% do Brasil, sem esquecer o fardo dos EUA, com seus preocupantes 50%.

Essa meta-compromisso é parte de um projeto maior, que abrange 40% da população mundial e inclue outras grandes nações as quais, ainda que em proporções diferentes, também cometeram – a ainda cometem – suas iniqüidades ambientais, como ìndia, Russia, Africa do Sul e Brasil, os cinco participantes do acordo concluído em Nova Delhi, em Novembro de 2009.

Da China, pode afirmar-se que aprendeu sua lição e, a seu favor, deve lembrar-se que é o país que mais investe no planeta para corrigir os erros ambientais do passado e evitar sua repetição, no presente e no futuro.

Sem dúvida, os tempos que virão são plenos de bons propósitos. Mas...


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