quarta-feira, 28 de março de 2012

A BATALHA DA SOBREVIVENCIA

Os mais sábios afirmam que as crises são cíclicas, inevitáveis e servem para pôr a prova o direito real do homem à sobrevivência. Têm, para muitos, o efeito de uma capina de proporções gigantescas, que vai possibilitar o desenvolvimento sadio da planta-mãe da prosperidade.

As turbulências da nova ordem mundial, que têm seu tripé de sustentação na tirania dos mercados, nos interesses ocultos no processo de globalização e na filosofia materialista do neoliberalismo, estão delineando a forma do jogo econômico para os próximos anos, onde todos dependem de todos, numa espécie de um imenso carrossel onde o equilíbrio é obtido na sincronização do movimento.

Hoje, países da periferia dos grandes centros de decisão mundial, como todos os da América Latina, devem pagar o preço das loucuras da má gestão financeira de alguns, das estrepolias políticas de outros e da volatilidade de uma massa de recursos equivalentes a 10 vezes o PIB mundial, que sem rumo fixo, procura apenas o lucro, “duela a quién duela”.

Evidentemente, os mais fracos - países, empresas e pessoas-- são os que pagam a maior parte da conta da ineficiência mundial em formular e adotar sistemas seguros de convivência econômico-financeira.

As Pequenas & Médias Empresas (P&M)  estão pagando uma parte dessa colossal fatura, na forma de barreiras para colocar seus produtos nos grandes mercados; na falta de financiamentos adequados às suas características e necessidades; na ganância sem ética dos juros além de qualquer lógica; e na burrice do sistema impositivo.

É um sistema que se alimenta da ineficiência que provoca e que, entre outros males, fulmina a sobrevivência da maioria dos empreendedores

A única alternativa é continuar, enfrentar as crises, que passam a ser entendidas até como um estado natural das coisas, e, sem desanimar, pagar o pedágio inevitável para a sobrevivência, cujo valor é nossa capacidade de competir.

E, a partir da compreensão da necessidade de participar e ganhar o desafio da competitividade, vista aqui como um conjunto de atributos de excelência empresarial - visão de negócios; informação; especialização; inovação; gestão eficiente; comunicação; diferenciação; marketing; relacionamento; criatividade e lucratividade – as P&M podem crescer com segurança e alcançar um papel de relevância nas guerras dos mercados.

Ou, em outras palavras: se a competitividade é condição “sine-qua-non” para o crescimento das grandes empresas, para as P&M deve ser entendida como uma questão crucial, prioritária e definitivamente necessária. 

Algo assim como: em tempos difíceis, o primeiro mandamento é sobreviver; o segundo, aceitar o desafio da competitividade como uma batalha pessoal a ser vencida; o terceiro, estar atento as oportunidades; o quarto, jamais deixar que o pessimismo obscureça nossa perspectiva da realidade e roube energias preciosas, tão necessárias para atingir o objetivo de vitória.

Tem mais: a competitividade tem como base um estado do espirito do empresário-empreendedor.  Algo que podemos definir como a ousadia de querer fazer sempre mais e melhor.


quinta-feira, 15 de março de 2012

TECNOLOGIA DE PONTA

TECNOLOGIA DE PONTA

A História, desde tempos imemoriais, coloca a posse da “terra” no auge das aspirações humanas, como símbolo tangível do sucesso e garantia de segurança futura. Foi também, até quase final do Século XX, o objetivo de qualquer conflito armado e uma das causas principais das guerras que ceifaram quase 110 milhões de vidas nos últimos 100 anos. Na economia industrial, terra, edifícios e máquinas– bens tangíveis e materiais, agrupados na categoria de ativo fixo – têm lugar destacado no balanço das empresas e seu valor total – medido em unidades monetárias – é (era) geralmente considerado como um dos indicadores fundamentais da grandeza e da importância das empresas. Até aí, tudo bem, até que perfeitamente ajustado ao saber convencional calcado na idéia de que “aquilo que se pode ver e tocar existe”.

Será? Na nova economia do Século XXI, como se encaixam esses conceitos tradicionais? Será que o valor real de uma empresa pode ser medido apenas pelo seu patrimônio líquido?

Contundentemente, claro que não! Porque, de forma arrasadora, uma nova categoria de valores – que não aparece no balanço, desde que intangíveis – representa muito mais fielmente a grandeza e a importância de uma organização. E podem ser sintetizados numa única palavra: conhecimento. Que significa a capacidade de gerar riqueza, continuamente, numa corrente virtuosa, cujos elos representam ações e resultados que podem ser encaixados no entorno de conceitos como: 1) capacidade inovadora; 2) imagem; 3) marca; 4) participação no mercado; 5) liderança esclarecida, moderna e motivadora; 6) visão do futuro; 7) criatividade; 8) capacidade de gerar e/ou adotar novas tecnologias; 9) gente competente e comprometida; 10) clientes;
11) gestão da informação; 12) comunicação & marketing eficientes;13); vontade de aprender.
visão única do negócio. Bem, apenas por comodidade, citei apenas 13 dessas “crias” do conhecimento, irmão gêmeo da competitividade, todos  atributos de excelência empresarial.

Ainda que  nenhum deles figura na coluna “ativo” no balanço das empresas, são parte fundamental do diferencial entre empresas vencedoras e ....as outras.

O mais importante: se a competitividade é condição “sine-qua-non”  para o crescimento das grandes empresas, para as Pequena & Médias  (P&M) deve ser entendida como uma questão crucial, prioritária e definitivamente necessária. 

Em tempos difíceis, esses atributos são a bíblia que deve ser um guia dos negócios dos vencedores, cujos ensinamentos u podemos sintetizar em: o primeiro mandamento é sobreviver; o segundo, aceitar o desafio da competitividade como uma batalha a ser vencida continuamente;  o terceiro, estar atento as oportunidades e ter a coragem de seguir novos caminhos; o quarto, jamais deixar que o pessimismo obscureça a perspectiva da realidade e do futuro, roubando energias preciosas,  necessárias para atingir  objetivos de crescimento economicamente sustentável.


segunda-feira, 5 de março de 2012

UM NOVO PESO PESADO

Na luta pela hegemonia do planeta - globalizado, inquieto, sofrido e que ainda vacila na escolha de seu rumo nas areias do tempo - em 2001, Jim O’NEILL, na ocasião economista-chefe do departamento econômico do banco Goldman Sachs – que, verdade seja dita, naqueles tempos mantinha a credibilidade de uma das mais prestigiosas instituições financeiras do mundo - consultou sua bola de cristal e produziu um alentado estudo no qual antecipava, lá para 2050, uma nova arquitetura da economia global, colocando no palco a sigla BRIC para batizar o possível predomínio que deveria surgir de uma aliança de quatro grandes países: Brasil, Rússia, China e Índia que, desde poucos meses atrás, somou a estratégica África do Sul, o que levou a transformar a sigla tradicional em BRICS para incluir o novo aliado.

Vale assinalar que predições de como será a partilha do poder e a influência de países, regiões ou setores daqui a um determinado tempo no futuro– a escolha da duração desse período tem uma ampla flexibilidade - está, de maneira inevitável, sujeita aos azares das circunstancias, essas sim muito difíceis de prever nesse mundo insensato que tem comprovado, desde o início da civilização uns10. 000 anos atrás,  uma incapacidade notável para escolher um caminho que atenda, de modo equitativo, os anseios e as necessidades de seus habitantes na longa caminhada para o futuro.

Mas, para assombro dos incrédulos que acham que nada pode nem deve mudar, o Sr. O’NEILL parece ter acertado em cheio na sua profecia, pelo menos no que diz respeito aos primeiros 10 anos de sua arrojada predição.

O fato é que, liderados pela China - que ostenta um poder econômico praticamente equivalente àquele de seus três “companheiros de viagem” -  agora, “4” -esses países parecem estar acreditando que podem fazer a diferença e deslocar de vez o eixo do poder tradicional Europa - EUA , dando uma contribuição significativa para consolidar um mundo de paz, prosperidade e justiça social. Para todos.

Têm suas credenciais para tal: reúnem 2,9 bilhões de habitantes, 43% da população mundial; seu PIB (Produto Interno Bruto) já ultrapassa os US$11 trilhões, 17% do total global e, pelo andar da carruagem, deve ultrapassar àqueles dos EUA e da UE lá por 2020; três deles - China, Rússia e Índia - são potências atômicas e incursionam agressivamente na conquista espacial; possuem recursos naturais imensos – especialmente o Brasil – que apenas devem ser explorados racionalmente e com respeito integral ao meio ambiente; seu imenso território conjunto, de mais de 43 milhões de Km2, é 4,5 vezes maior que a superfície dos EUA; o crescimento de sua economia é, de longe, aquele que dá a maior contribuição ao desenvolvimento mundial; e, de um modo ou outro, com exceção da Rússia, compartem o mesmo passado de dominação e exploração por parte dos países mais ricos, o que, de muitas maneiras, contribui para uma visão diferenciada da realidade e dos mecanismos para solução dos graves problemas que afligem a humanidade.
Na realidade, uma tríplice aliança já estava em gestação pelos “companheiros asiáticos” que desde os anos 80, esquecidos dos conflitos militares que protagonizaram entre si no início da década dos 60, iniciaram um esforço notável para tentar utilizar suas potencialidades a favor de um desenvolvimento mais acelerado, reunindo-se freqüentemente no mais alto nível e celebrando acordos de cooperação e alianças estratégicas em áreas vitais, como energia, tecnologia, comércio, produção de alimentos e exploração de recursos naturais.

Assim, quando foi lançada a idéia de associar o Brasil com o surgimento do BRIC. já existia uma base asiática importante que, isso sim, foi significantemente fortalecida com a entrada de um país Atlântico, rico em matérias primas, possibilidades e, não menos importante, sem preconceitos nem ranços colonialistas, que compartilhava o mesmo anseio de superação para atingir patamares mais elevados de desenvolvimento, participação e reconhecimento global.
E, pelo visto e demonstrado nos últimos anos, os BRICS começam a fazer a diferença com seu peso político/econômico, iniciando a consolidação de um novo centro estratégico do poder mundial para competir com os EUA e a EU.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

GUERRA SEM QUARTEL

Na Cúpula de Washington sobre Segurança Nuclear, finalizada em 13/04/2010, na qual participaram 47 nações, - inclusive o Brasil - foram alcançados importantes acordos para reduzir o risco de uma catástrofe de consequencias inimagináveis, sendo consensual entre os participantes o imperativo de uma intensa colaboração entre todos e a necessidade do estrito cumprimento das normas da AIEA – Agência Internacional de Energia Atómica – organismo diretamente subordinado às Nações Unidas.

Em resumo, um pouco de bom senso na estupidez do homem na sua volúpia de autodestruição por atacado, desde que, segundo especialistas, os arsenais nucleais no fim da Guerra Fria, em 1989, apenas considerando os EUA e a ex-URSS, eram suficientes para destruir toda a vida no planeta mais de 1.000 vezes. Que desperdício inacreditável!

Isso, sem considear a ameaça - potencialmente ainda mais terrível - dos arsenáis químicos e biológicos ainda em poder das grandes potências, o que também comprova a força da parte escura do ingenio humano a serviço de formas cada vez mais letais de destruição, infelizmente aperfeiçoadas (?) continuamente nos últimos 5.000 anos.

As terras de América colonizadas (ou escravizadas?) por Espanha e Portugal 500 anos atrás estão, aparentemente, livres desses pesadelos, pelo menos por agora. Porém, outros enemigos tão destruidores e sinistros ameaçan o progresso e o bem estar de seus mais de 500 milhões de habitantes, que suportam o ataque sem tréguas daquilo que podemos, com toda propriedade, batizar de “nossos” Quatro Cavaleiros do Apocalipse: A POBREZA, A VIOLÊNCIA, O NARCOTRÁFICO E A CORRUPÇÃO.

Os quais, tal hidra maligna, possui estreitas relações uns com os outros, formando uma corrente perversa que ocasiona danos irreparáveis á qualidade de vida, ofuscam a democracia e possuem um enorme potencial para gerar conflitos, internos e externos, solapando e fragilizando as instituiçõe e as perspectivas de progresso dos países–vítima, elevando progressivamente seus níveis de carências econômicas, sociais e psicológicas.

O triste exemplo do México está na vitrine e serve de alerta para a urgência de medidas práticas – não de retórica política – para empenhar todos os esforços e todos os recursos para combater esses fragelos.

Por outra parte, antes tarde que nunca, parece ganhar espaço no saber convencional dos governantes da América Latina de que esse combate pode ser muito mais efetivo se as ações são coordenadas a nível regional – pelo menos - com um trabalho conjunto de seus serviços de inteligência, seus organismos de segurança, seus sistemas judiciários e todas as forças responsáveis da sociedade organizada para combater e tentar ganhar essa guerra não declarada, porém não menos maléfica, e cuja virulência tem aumentado quase que exponencialmente nessa primeira década do Século XXI.

Pelo menos é o que se pode extrair das declarações, acordos e juras de boas intenções que, com uma visão do melhor dos mundos (irreal, na verdade!) encerram as cumes dos mandatários da UNASUL – União das Nações Sul-Americanas; do MERCOSUL – Mercado Comúm do Sul; da Comissão de Segurança Hemisférica da OEA - Organização dos Estados Americanos; e do MCCA – Mercado Comum Centro-Americano.

Nesse esforço conjunto, o Brasil tem o papel-chave de protagonista principal em razão de sua importância econômica, estratégica e geo-política e, sob qualquer ponto de vista, a sua vitória nessa cruzada para derrotar esses enemigos ardilosos terá importância decisiva no sucesso do esforço para construir um futuro mehor para os povos da América Latina.

terça-feira, 6 de abril de 2010

ATAQUE FRONTAL

Em março de 2010, no transcorrer da XI Assembléia Popular Nacional - a APN é o orgão legislativo máximo da China – foram analisadas, debatidas e definidas as grandes metas e os caminhos que o colosso asiático deve trilhar para atingir seus objetivos políticos, econômicos, financeiros, sociais, estatégicos, ambientais e internacionais.

As decisões dessa Assembléia, que reune 3. ooo representantes de todas as regiões do país e que, em geral, aprovam estudos e propostas dos grupos da elite do planejamento do governo, têm uma importância indiscutível e decisiva para pautar as ações executivas dos dirigentes chineses, sendo utilizadas como uma orientação fundamental para obter os resultados positivos que mais interessam ao dragão asiático que, é bom notar, abriga um quinto dos habitantes do planeta, com problemas, carências e anseios proporcionais a sua grandeza humana, econômica e territorial. E, acreditem, com os olhos fixos no horizonte onde deve alcançar seu objetivo maior:Vir a ser a primeira potência do globo... até 2030!

Não pode passar por alto que a China - marcando diferenças evidentes com as atuações das potências historicamente detentoras da coroa da dominação planetária - atua com a paciência e competência de um consumado jogador de xadrez para alcançar essa ascendência mundial, objetivo não confessado e não por isso menos desejado, ainda que cautelosamente disfarçado sob a cortina de sorrisos, amabilidades e declarações bem comportadas da diplomacia chinesa.

Sob a pressão natural da maioria de seus habitantes que anseiam por uma melhor qualidade de vida, a China tem pressa e sabe que precisa fazer muito mais que os avanços espectaculares alcançados nas últimas três décadas. O presidente Hu Jintao – que em poucos dias estará no Brasil – enfatiza no encerramento da XI Assembléia: "É necessário mudar o modelo de desenvolvimento econômico e dar maior atenção aos temas do interesse imediato da cidadania. Essa mudança é urgente e precisa acontecer no menor prazo possível, sob pena de consequencias potencialmente desastrosas para o futuro da China”.

Especialistas da Universidade de Pequim – que abriga o principal “think tank” do governo - assinalam que nos próximos anos a “aceleração da mudança” será o ponto-chave nas discussões, programas e ações executivas e indutoras do governo.

(Aliás, por favor, não confundir com nosso PAC ainda que, em muito, têm lá suas semelhanças. Apenas, fica no ar a dúvida se, por efeito emblemático das coisas da economia, nossos especialistas em desenvolvimento não repetem as mesmas receitas que deram certo na distante terra do urso panda. Ou pode, por magia, ser o contrário?).

Agora, no front externo, a China também tem pressa e acelera sua presença e influência com a atuação incansável de seus “caixeiros viajantes promotores das boas relações com todos os povos” - destaque especial para o presidente Hu Jintao; o primeiro ministro Wen Jinbao; e o Ministro das Relações Exteriores, Yang Jiechi – que percorrem todos os cantos do planeta numa peregrinação jamais antes conhecida no mundo da diplomacia, distribuindo generosamente apertos de mão, sorrisos e ...montanhas de dinheiro, especialmente para países da África e América Latina. Nos intervalos, fecham acordos para garantir os suprimentos de matérias primas, imprescindíveis para movimentar a gigantesca máquina de produção do país asiático e também, para não perder a viagem, conseguem o apóio – ou a neutralidade- para a realização de seu objetivo maior, logicamente não anunciado, para atingir o posto de maior potência do planeta, hoje ocupado pelos EUA.

No mais, tem comprovado condições para chegar ao ápice, lembrando que são discípulos aplicados dos ensinamentos do mestre Confúcio: “No trabalhoso caminho da vida, tudo se consegue com paciência, equilibro e persistência”.